O cantor e compositor Ed Motta passou a ser investigado por injúria por preconceito após uma confusão registrada no restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio de Janeiro, na madrugada do último dia 2 de maio. O caso foi registrado na 15ª DP (Gávea) e envolve acusações de ofensas xenofóbicas contra funcionários do estabelecimento, além de relatos de tumulto, arremesso de objetos e agressões entre clientes.
Segundo depoimentos prestados à Polícia Civil, a discussão começou após um desentendimento envolvendo a taxa de rolha, valor cobrado por restaurantes quando clientes levam vinhos próprios para consumo no local. Na ocasião, Ed Motta estava acompanhado de amigos e o grupo teria levado sete garrafas de vinho ao restaurante, das quais cinco foram consumidas. A conta ultrapassou R$ 7 mil.
Funcionários relataram que o artista se irritou após a cobrança da taxa. Segundo os depoimentos, Ed Motta começou a insultar o barman da casa, que teria sido alvo preferencial das ofensas, após uma conversa entre clientes e funcionários do restaurante. Ele teria dito: “Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba”.
Ainda conforme o relato apresentado às autoridades e divulgado pelo RJ2, da Globo,, um dos homens que acompanhavam o cantor, identificado como Nicholas Guedes Coppim, também teria constrangido o funcionário ao questioná-lo em tom irônico: “Você gosta de mulher?”.
Na sequência, Ed teria continuado os ataques verbais. “Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba”, teria dito o cantor, segundo o relato entregue às autoridades.
Em seguida, Ed teria colocado uma taça de vinho sobre o balcão e afirmado: “Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas”. Ao deixar o local, o artista teria continuado os ataques verbais: “Cambada de paraíba” e, virando-se novamente para o funcionário e repetindo: “Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba”.
O caso foi enquadrado como injúria por preconceito, prevista no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, além de injúria comum. A pena prevista para o crime é de um a três anos de reclusão.