cinema editorial

Ainda Estou Aqui – Memória e justiça histórica no cinema

O cinema brasileiro viveu um marco histórico em 2025. “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, tornou-se o primeiro filme do Brasil a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional, consagrando-se mundialmente e colocando a produção nacional novamente no mapa das grandes narrativas político-sociais do cinema.

A obra reconta a história real da família de Rubens Paiva, deputado desaparecido durante a ditadura militar, a partir da trajetória de resistência de Eunice Paiva, sua esposa. O longa acompanha o impacto do sequestro e desaparecimento de Rubens: o trauma, o silêncio imposto, a violência do Estado e a reconstrução emocional da família — especialmente a força de Eunice, que transformou sua dor em luta por memória e justiça.

Mais do que uma produção cinematográfica, “Ainda Estou Aqui” se firmou como um acontecimento político. Seu lançamento e posterior vitória no Oscar, reacenderam debates sobre os desaparecidos políticos, a impunidade dos agentes da ditadura e a necessidade de uma justiça histórica que o Brasil segue devendo há décadas. O filme voltou a colocar a memória da repressão no centro da cultura popular, algo que tem profundo diálogo com tradições da esquerda brasileira: resistência, defesa da democracia e valorização da verdade histórica.

Ao unir cinema, emoção e política, “Ainda Estou Aqui” ultrapassou a esfera artística. Tornou-se símbolo e virou pauta. Mostrou que, no Brasil contemporâneo, a cultura pop ainda é capaz de mobilizar, confrontar e reabrir conversas que parte da sociedade tentou apagar.